Adoro a fase azul de Picasso. Acho que é minha preferida. Não pela parte estética, porque a arte não é só a estética em
si, né? É o que ela provoca (Perdoem o uso leviano do conceito ‘estética’). E por isso, a fase azul. Tudo o que está ali pintado me provoca. Fico triste, me sinto só, tenho arrepios de morte. Picasso atingindo seus objetivos.
Tudo isso pra falar que, dentre os quadros da fase azul, tinha um que eu bem não ligava: Retrato de Suzanne Bloch. Até, claro, ficar frente-a-frente com ele no Masp. Antes eu achava que Suzanne era meio enjoada. A boca se sobressai demais nas reproduções. Aliás, as reproduções não conseguem transmitir o essencial. O olhar de Suzanne não é reproduzido nas foto. E de indiferente, sentei no banquinho, bem em frente à Suzanne, e comecei a pensar nela, inventando histórias e sentimentos – inclusive, uma amizade fictícia, onde eu a abraçava.
Pois é. Eu sou uma pessoa bregamente sensível.